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El Niño acende alerta no Rio para avanço da dengue e chikungunya

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) intensificou as ações de vigilância e controle das arboviroses em parceria com os municípios fluminenses diante do risco de aumento na transmissão de doenças como dengue, chikungunya e zika. O alerta ocorre em meio às previsões de intensificação do fenômeno El Niño, que pode criar condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti nos próximos meses.

De acordo com a SES-RJ, as equipes estaduais seguem as orientações do Ministério da Saúde, que alertou estados e municípios sobre a possibilidade de alta no número de casos dessas doenças em todo o país. A preocupação está relacionada às mudanças climáticas, que alteram os padrões de temperatura e chuva, favorecendo a reprodução do mosquito transmissor.

Estudos da Organização Meteorológica Mundial (WMO) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o El Niño deve se manifestar de forma moderada a forte durante o segundo semestre deste ano. O cenário tende a elevar as temperaturas e modificar o regime de chuvas, criando um ambiente propício para a circulação do Aedes aegypti.

Pesquisas científicas também reforçam essa preocupação. Um estudo publicado na revista PLOS Neglected e conduzido pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), em parceria com instituições nacionais e internacionais, aponta que o fenômeno El Niño pode ampliar a infestação do mosquito quando a temperatura supera 23,3°C e o volume de chuvas ultrapassa 153 milímetros. Segundo os pesquisadores, a faixa ideal para a proliferação do vetor está entre 30°C e 32°C.

Embora o mosquito seja tradicionalmente associado ao verão e aos períodos de chuvas intensas, a SES-RJ destaca que os ovos do Aedes aegypti conseguem sobreviver durante longos períodos de estiagem. Com o retorno das chuvas e o aumento da umidade, as larvas voltam a se desenvolver rapidamente, o que torna o combate aos criadouros uma estratégia essencial durante todo o ano.

Mesmo no inverno, quando a incidência de dengue, chikungunya e zika costuma diminuir, a recomendação é que a população aproveite o período para eliminar possíveis focos do mosquito. A Vigilância Epidemiológica orienta que moradores realizem inspeções semanais em todos os cômodos das residências, quintais e áreas externas, eliminando recipientes que possam acumular água.

A secretaria também recomenda o uso de repelentes conforme as orientações dos fabricantes, além da utilização de roupas de mangas compridas, calças, telas em portas e janelas e mosquiteiros, especialmente para crianças, idosos e gestantes.

Em caso de sintomas como febre, náuseas, vômitos, manchas vermelhas na pele, dores no corpo, nas articulações, na cabeça ou atrás dos olhos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente para diagnóstico e acompanhamento adequado.

Até 23 de julho de 2026, o estado do Rio de Janeiro registrou 6.382 casos prováveis de dengue, com 476 internações, quatro mortes confirmadas e outros quatro óbitos ainda em investigação. No mesmo período, foram contabilizados 2.460 casos prováveis de chikungunya, com 40 internações e nenhuma morte. Já a zika não apresentou casos confirmados neste ano.

Entre as principais medidas de prevenção estão eliminar recipientes com água parada, manter caixas d’água e cisternas fechadas, limpar calhas e ralos, verificar bandejas de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, guardar garrafas de cabeça para baixo, descartar corretamente pneus e outros materiais que possam acumular água, além de higienizar diariamente os recipientes utilizados pelos animais domésticos. Essas ações simples continuam sendo consideradas a forma mais eficaz de reduzir a proliferação do Aedes aegypti e conter o avanço das arboviroses no estado.

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