Bangu está prestes a ganhar uma nova configuração em uma das áreas mais movimentadas e tradicionais do bairro. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, apresentou o Avança Bangu, um projeto de revitalização que reúne cultura, lazer, mobilidade e recuperação de espaços históricos para transformar o centro do bairro, na Zona Oeste.
A proposta é criar uma área integrada, onde moradores possam circular, encontrar opções de lazer e cultura e, ao mesmo tempo, contar com um transporte público mais organizado. Entre as principais intervenções estão a criação do Parque Linear Bangu, a implantação do Centro Cultural Casa do Silveirinha, a recuperação do antigo Cine Matilde e a construção de um novo terminal de ônibus municipais.
Durante o lançamento, Cavaliere destacou que as mudanças atendem a uma antiga expectativa dos moradores.
— A gente tá celebrando hoje um dia que a população de Bangu esperava e sonhava. Da mesma forma que fizemos em Campo Grande e Santa Cruz, hoje lançamos o Avança Bangu e anunciamos o novo terminal intermodal no centro do bairro. Também assinamos dois atos históricos: a compra do Cine Matilde, fechado há 60 anos, e da Casa do Silveirinha, que era um compromisso nosso. Nós queremos garantir um lazer de alta qualidade para as famílias de Bangu — afirmou o prefeito.
Os projetos serão desenvolvidos pela Empresa Municipal de Urbanização (Rio-Urbe), ligada à Secretaria Municipal de Infraestrutura, com participação das secretarias municipais de Cultura e Transportes.
Um novo espaço para viver Bangu
O coração do projeto será o Parque Linear Bangu. A ideia é criar uma área pública capaz de conectar o comércio local, a Paróquia São Sebastião e Santa Cecília e o futuro Centro Cultural Casa do Silveirinha.
Mais do que uma área de passagem, o espaço foi planejado para estimular a convivência e oferecer novas opções de lazer aos moradores.
Entre a Rua Santa Cecília e a Rua Silva Cardoso, será implantado o Centro Cultural Casa do Silveirinha, que terá museu, área para exposições e café.
Na área externa, o projeto prevê restaurante, food trucks, parque infantil, espaço para piqueniques, quadras de areia, academia ao ar livre e anfiteatro. Também estão previstos sanitários, vestiários e estruturas de apoio para a administração, Guarda Municipal e Comlurb.
Para o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, a proposta é levar a cultura para além dos espaços fechados e fazer do parque um ponto de encontro para a comunidade.
— Nós temos que ter cultura dentro dos equipamentos culturais, mas precisamos ter também a cultura na rua, que é tão típica do Rio de Janeiro. A Casa do Silveirinha é um grande parque urbano, que não tem começo e não tem fim, ele é um parque linear. E que vai ter anfiteatro, parque infantil, área molhada, academia ao ar livre e quadra de areia, que foi pedida para várias modalidades. Vamos ter cultura, lazer e espaços públicos integrados — disse.
Memória de Bangu preservada
A escolha do local para o novo centro cultural também tem um significado histórico para o bairro.
O terreno pertenceu a Guilherme da Silveira Filho, conhecido como Dr. Silveirinha, uma das personalidades ligadas à formação e ao desenvolvimento de Bangu. Proprietário da Fábrica de Tecidos Bangu e presidente do Bangu Atlético Clube, ele teve papel importante na história da região.
A proposta da Prefeitura é preservar essa memória e, ao mesmo tempo, dar uma nova função ao espaço, transformando-o em um equipamento público voltado para cultura, lazer e convivência.
Cine Matilde vai voltar à cena
Outro ponto que promete mexer com a memória dos moradores é a recuperação do Cine Matilde.
Desativado desde os anos 1990, o antigo cinema será transformado em um equipamento cultural multiuso. Durante décadas, o local foi um dos pontos de encontro de famílias, jovens e trabalhadores de Bangu e chegou a ser considerado, nos anos 1960, um dos cinemas mais modernos do Rio.
O projeto prevê uma sala de teatro com capacidade para 250 pessoas e duas salas de cinema, com 100 e 130 lugares.
A nova estrutura também contará com bomboniere, sala de exposições e um rooftop com bar, restaurante e área de convivência. Um estacionamento de serviço também está previsto.
A recuperação do espaço pretende devolver ao bairro uma referência cultural que ficou marcada na memória de diferentes gerações.
Novo terminal vai reorganizar os ônibus
A transformação também chegará ao transporte público. O Avança Bangu prevê a construção do Terminal Bangu Shopping, na área de estacionamento do Bangu Shopping, na interseção da Avenida Santa Cruz com a Rua Fonseca.
O espaço, atualmente utilizado para eventos e shows, passará a receber a estrutura de transporte coletivo.
A principal proposta é facilitar a integração entre os ônibus municipais e os trens, já que o terminal ficará próximo à estação ferroviária e ao shopping.
— O terminal vai fazer a integração intermodal entre o trem e as linhas de ônibus. É uma estrutura moderna e coberta que vai reorganizar o transporte da região, trazendo conforto e se conectando diretamente ao boulevard que liga os equipamentos culturais do bairro — explicou o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes.
O terminal terá plataformas centrais, vagas para os ônibus aguardarem entre as viagens, área comercial, sanitários para passageiros e estrutura de apoio aos funcionários. O projeto também prevê arborização.
Os ônibus entrarão pela Rua Fonseca e sairão pela Avenida Santa Cruz. Os passageiros poderão acessar o terminal pela avenida, por meio de rampas e escadas.
Novas travessias de pedestres e gradeamento também serão implantados para aumentar a segurança de quem circula pelo local.
Fim dos pontos finais espalhados pelas ruas
Uma das mudanças mais perceptíveis para quem utiliza o transporte público será a concentração das linhas em um único terminal.
Atualmente, os pontos finais dos ônibus estão distribuídos por diferentes vias do centro de Bangu, entre elas a Rua Silva Cardoso, a Rua do Açude e a Rua da Feira.
Com a transferência das operações para o novo terminal, a Prefeitura pretende liberar espaço nas ruas, organizar os locais de embarque e desembarque e melhorar a circulação de veículos e pedestres.
A expectativa é que a mudança também facilite a vida de quem precisa combinar diferentes meios de transporte durante o deslocamento diário.
Um novo centro para um bairro histórico
A proposta do Avança Bangu vai além de obras isoladas. A intenção da Prefeitura é conectar diferentes espaços e criar uma nova dinâmica para o centro do bairro.
De um lado, o projeto aposta na memória, com a recuperação do Cine Matilde e a valorização da história ligada à Casa do Silveirinha. De outro, cria novas opções de lazer, convivência e cultura ao ar livre.
No transporte, a construção do terminal busca aproximar ônibus e trem e organizar uma região que hoje convive com pontos finais espalhados pelas ruas.
A expectativa é que, com as intervenções, moradores e comerciantes passem a ter um centro de Bangu mais organizado, acessível e com mais espaços para convivência.
Para um bairro marcado por uma forte identidade e por uma história construída em torno da antiga fábrica, do futebol, do comércio e da vida comunitária, a promessa é de que o Avança Bangu ajude a preservar o passado sem deixar de preparar a região para o futuro.


Deixe uma resposta