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Rio realiza primeiro transplante de intestino isolado e amplia atendimento a casos graves

Procedimento foi realizado em paciente de 40 anos e permite tratar casos de falência intestinal sem a necessidade de transferência para outros estados

Imagem do transplante

O Estado do Rio de Janeiro deu um passo importante na área de transplantes. Pela primeira vez, uma equipe do Programa RJ Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), realizou a captação de um intestino para transplante isolado no estado. O procedimento foi feito no último sábado (5) e amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com falência intestinal grave.

Os intestinos grosso e delgado foram captados de um doador em uma unidade pública da Região Metropolitana. Os órgãos foram posteriormente transplantados em uma paciente de 40 anos, internada no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. A unidade é a única habilitada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado para realizar esse tipo de procedimento.

A realização do transplante representa um avanço para a assistência especializada e fortalece a estrutura do Rio para o atendimento de casos de alta complexidade.

Procedimento substitui apenas o intestino comprometido

O transplante de intestino isolado é diferente dos chamados transplantes multiviscerais ou combinados, como o transplante de fígado e intestino. Na modalidade isolada, apenas o trato intestinal comprometido é substituído.

Para que o procedimento seja realizado, é necessário que o fígado do receptor esteja saudável e funcionando adequadamente.

Segundo o diretor do RJ Transplantes, Alan Melquíades, a nova capacidade permite que pacientes com falência intestinal sejam tratados e reabilitados dentro do próprio estado.

“O procedimento, que é considerado complexo, amplia a capacidade da rede pública fluminense para atender pacientes com falência intestinal. Hoje, eles conseguem ser tratados e reabilitados no Estado do Rio, não sendo mais necessária a transferência”, afirmou.

Rio passa a ter estrutura para casos mais complexos

O transplante multivisceral é indicado para situações ainda mais complexas e envolve a substituição de múltiplos órgãos abdominais. Atualmente, não há pacientes no estado aguardando por esse tipo de procedimento.

Também não existe, no Rio de Janeiro, uma fila exclusiva para transplante de intestino isolado.

Mesmo assim, a realização do primeiro procedimento abre uma nova possibilidade de atendimento para pacientes que necessitam dessa intervenção e, anteriormente, poderiam precisar ser encaminhados para tratamento fora do estado.

Doação de órgãos é fundamental

O avanço acontece durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, destacou que o Rio de Janeiro ocupa atualmente o segundo lugar no país em autorização familiar para doação de órgãos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes.

“O Rio de Janeiro foi o segundo entre todos os estados brasileiros onde mais famílias autorizaram a doação de órgãos de seus entes queridos. É um gesto de amor ao próximo, que já salvou mais de 17 mil vidas no estado”, afirmou.

A doação, no entanto, ainda enfrenta um obstáculo importante: a recusa das famílias. Nos primeiros sete meses de 2026, a taxa de negativa familiar para a doação de órgãos no estado ficou em torno de 38%.

Mais de 750 órgãos captados em 2026

Os números do RJ Transplantes mostram a dimensão do trabalho realizado no estado. Até 8 de setembro de 2026, foram captados 372 rins, 161 fígados, 29 corações, 24 pulmões e um intestino.

Há, porém, uma inconsistência nos dados divulgados pela SES-RJ: o balanço informa “29 corações” duas vezes. Assim, considerando apenas os números apresentados, o total informado é de 616 órgãos, e não mais de 750. O número total precisa ser confirmado pela secretaria antes da publicação como dado oficial.

Conscientização pode aumentar número de doações

Para o diretor-geral do RJ Transplantes, ampliar a taxa de autorização das famílias é um dos principais desafios.

“Trabalhamos diariamente para aumentar a taxa de autorização familiar. Estarmos em segundo lugar no Brasil é importante, mas podemos alcançar ainda mais e sermos, de fato, referência no país em relação à doação. Não há transplante sem doação e só temos a doação quando a família diz sim”, destacou.

Segundo ele, o trabalho de conscientização precisa começar antes mesmo de uma situação de possível doação. Informar a população sobre o processo de morte encefálica e estimular as famílias a conversarem sobre o desejo de doar órgãos são medidas consideradas fundamentais.

As equipes responsáveis pela abordagem dos familiares recebem treinamento permanente, mas o objetivo é fazer com que a informação também chegue à população.

O primeiro transplante de intestino isolado realizado no Rio representa, assim, não apenas um avanço médico, mas também a ampliação da capacidade do sistema público de oferecer tratamento especializado a pacientes em situações graves. E reforça uma mensagem essencial para que novos transplantes sejam possíveis: sem doador, não existe transplante.

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