Visão da Praça Marechal Âncora

A Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, pode ganhar uma nova configuração nos próximos anos. A Prefeitura do Rio, por meio da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), abriu uma consulta pública para receber sugestões sobre o projeto de concessão do espaço. A proposta prevê uma área voltada para gastronomia, lazer e cultura, mas com uma condição considerada essencial: a praça continuará sendo um espaço público e de acesso gratuito.

Com uma área de até 12,2 mil metros quadrados, a praça poderá receber uma estrutura de até 4 mil metros quadrados. A ideia é criar um ponto de encontro que estimule a circulação e a permanência de moradores e visitantes no Centro, aproveitando também a relação do local com a Baía de Guanabara.

O projeto prevê que a futura concessionária fique responsável pela operação, conservação e manutenção do espaço. A empresa que vencer a licitação também deverá seguir uma série de critérios ambientais e urbanísticos.

Entre as exigências estão o aproveitamento de iluminação e ventilação naturais, eficiência energética, uso racional da água, captação e reaproveitamento de água da chuva e utilização de fontes de energia renovável. O projeto também prevê soluções inspiradas na natureza, como jardins e coberturas verdes, além de medidas para reduzir a geração de resíduos e o impacto ambiental da operação.

A proposta busca ainda valorizar a identidade do Centro do Rio. O espaço deverá receber atividades ligadas à cultura local e às manifestações tradicionais, com programação distribuída ao longo da semana.

Área continuará aberta ao público

Apesar da concessão, a proposta mantém a Praça Marechal Âncora como espaço de livre circulação. A chamada Área de Influência Ampliada continuará aberta e sem restrições de acesso.

Outra regra prevista é que não poderá ser cobrada entrada para os eventos realizados nessa área. A intenção é garantir que a ocupação do espaço não afaste o público e continue integrada à dinâmica da região.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, a iniciativa faz parte da estratégia de estimular novos usos para o Centro e criar condições para o desenvolvimento econômico da região.

Consulta fica aberta por 45 dias

A consulta pública terá duração de 45 dias. Durante esse período, moradores, especialistas, instituições e empresários poderão enviar sugestões e comentários sobre o projeto. A participação pretende ajudar a Prefeitura a aperfeiçoar a proposta antes da publicação do edital de licitação.

Os documentos e o formulário para envio das contribuições estão disponíveis no site da CCPar.

O projeto foi estruturado a partir de estudos apresentados por um investidor privado por meio de uma Manifestação de Interesse Privado (MIP). De acordo com o modelo proposto, a empresa que vencer a futura licitação deverá ressarcir os custos dos estudos realizados.

A licitação deverá considerar critérios técnicos e de preço. Além da proposta financeira, serão avaliadas questões relacionadas à qualidade econômica, arquitetônica, urbanística e operacional do projeto.

Investimento mínimo previsto

A proposta econômica estabelece um pagamento mínimo de R$ 2,2 milhões ao município. Desse valor, 20% deverão ser pagos inicialmente, enquanto o restante poderá ser quitado em 36 parcelas mensais.

A concessão faz parte de um processo de requalificação e ocupação de áreas do Centro do Rio. A Praça Marechal Âncora integra a Orla Conde e foi reaberta em 2016, depois das obras de reurbanização realizadas no âmbito do Porto Maravilha.

Agora, a Prefeitura busca definir como o espaço poderá ser utilizado no futuro, conciliando novos equipamentos e atividades com a preservação de seu caráter público e da relação histórica, cultural e arquitetônica com a região central e a Baía de Guanabara.

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