A Unidos do Viradouro recebeu, nesta quarta-feira (7), representantes do Jongo da Serrinha para uma vivência dedicada à música, à dança e aos fundamentos do jongo. O encontro, realizado na quadra da escola, em Niterói, reuniu integrantes da agremiação, casais de mestre-sala e porta-bandeira e crianças do Instituto Viradouro, em contato direto com uma tradição de matriz africana transmitida entre gerações.
A atividade foi proposta pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e integra a preparação da escola para o Carnaval 2027. Com o enredo “Griô”, a Viradouro vai homenagear a tradição dos contadores de histórias da África Ocidental e destacar a importância da oralidade na preservação e na transmissão de memórias e saberes, valorizando a ancestralidade e o legado cultural negro.
Durante a vivência, os participantes conheceram ritmos, movimentos e significados do jongo diretamente com representantes do grupo. A presença das crianças do Instituto Viradouro marcou o encontro e aproximou as novas gerações de uma manifestação cultural que tem na transmissão de conhecimentos um de seus fundamentos.
Para Lazir Sinval, do Jongo da Serrinha, a oralidade está no centro da tradição.
“O jongo é uma tradição oral. A gente aprende com os nossos mais velhos e vai passando para as futuras gerações. Mesmo aqueles que já se foram deixaram um legado importante para a nossa história, e é por meio da tradição oral que mantemos viva essa memória e fazemos com que ela chegue aos mais novos”, afirmou.
De origem africana, com raízes em Angola, o jongo foi trazido ao Brasil por africanos escravizados e permanece vivo em comunidades da Região Sudeste. Transmitido principalmente pela oralidade, tem nos mais velhos um papel fundamental na preservação dos saberes e da memória dos ancestrais.
Para a coreógrafa Ana Formighieri, responsável pelo segundo e pelo terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, a experiência dialoga diretamente com o tema do desfile.
“A gente está vivendo o nosso enredo. A oralidade chegou aqui, as histórias deles chegaram para a gente. E vai nos ajudar a entregar o nosso trabalho com mais potência na avenida”, disse.
A iniciativa faz parte das atividades de preparação da Viradouro para o próximo Carnaval e busca aproximar os integrantes da escola de manifestações culturais, histórias e tradições que dialogam com o enredo de 2027.