Marcio Canella, em foto de arquivo

A nova prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (ex-prefeito de Belford Roxo) expôs os bastidores das alianças políticas no estado do Rio de Janeiro e colocou em xeque os planos de seu grupo político. Segundo análise transmitida pelo canal Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Canella era cotado para disputar a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no próximo mandato, apoiado por aliados do senador Flávio Bolsonaro e do governador eleito Douglas Ruas.

Considerado um dos principais caciques políticos da Baixada Fluminense, Canella era o nome preferido do grupo de Flávio Bolsonaro para compor a chapa ao Senado Federal pelo estado. A candidatura ao Senado, contudo, foi abortada após sua primeira prisão em julho deste ano, ocorrida em flagrante quando policiais encontraram um fuzil em seu veículo durante etapas da Operação Unha e Carne. Mesmo após ser liberado, fazer campanha e consagrar-se como o segundo deputado estadual mais votado do estado, sua reincidência na prisão traz incertezas sobre o comando da Alerj e os acordos partidários locais.

Esquema de postos, Detran e exonerações na Segurança Pública

De acordo com as investigações da Polícia Federal destacadas no programa, o deputado é acusado de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro por meio de mais de uma centena de postos de combustíveis, com bloqueio judicial superior a R$ 3 bilhões.

A rede de influências apontada pela apuração revela também o loteamento de órgãos estratégicos do governo estadual. O grupo de Canella mantinha o controle do Detran-RJ, tendo indicado para a presidência do órgão o delegado da Polícia Civil Marcos Amin. Amin, que posteriormente teve a legislação alterada para assumir o cargo de secretário estadual de Polícia Civil nomeado pelo governador Cláudio Castro, também foi preso na operação policial.

Outros alvos da operação incluem os ex-policiais civis e irmãos Cristiano e Giovan Gaspar Fernandes, filhos de um ex-chefe de milícia da Zona Norte da capital. Expulsos da corporação em desdobramentos da Operação Guilhotina em 2011 por desvio de armas de fogo, ambos foram readmitidos durante a gestão de Wilson Witzel e tornaram-se sócios de Marcos Amin na gestão das redes de combustíveis investigadas.

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