Cultura

Viradouro cria projeto de fisioterapia gratuito para atender ritmistas antes dos ensaios

A Unidos do Viradouro criou um projeto gratuito de fisioterapia para cuidar da saúde física dos integrantes de sua bateria. Batizada de “Virafisio”, a iniciativa oferece avaliação, acompanhamento e exercícios personalizados para cerca de 100 ritmistas comandados por mestre Ciça, com atendimentos realizados às terças-feiras, antes dos ensaios na quadra da escola, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

O projeto surgiu a partir da percepção de Aline Ribeiro, estudante do sétimo período de fisioterapia e ritmista da Viradouro há 12 anos. Ao observar que colegas da bateria frequentemente a procuravam para relatar dores e lesões decorrentes da atividade musical, ela identificou a necessidade de criar uma estrutura de atendimento voltada especificamente para esses profissionais do samba.

Prevenção de lesões

A ideia foi desenvolvida em parceria com um professor da universidade particular onde Aline estuda e, posteriormente, apresentada à presidência da agremiação, que aprovou a iniciativa.

“O nosso objetivo é cuidar de lesões que já existam e evitar que novas surjam, melhorando o rendimento dos ritmistas e deixando-os prontos para garantirem a nota dez”, explicou Aline.

A rotina dos integrantes de uma bateria exige resistência física e movimentos repetitivos durante longos períodos. Por isso, o acompanhamento fisioterapêutico busca não apenas tratar problemas já existentes, mas também prevenir novas lesões e contribuir para o desempenho dos músicos nos ensaios e no desfile na Marquês de Sapucaí.

Os resultados já são percebidos pelos participantes. Jefferson Carlos, ritmista que toca tamborim, contou que os atendimentos têm ajudado no tratamento de problemas como síndrome do túnel do carpo, tendinite e epicondilite, condições que podem comprometer os movimentos e a força dos braços e das mãos.

“Tocar tamborim requer bastante esforço. Os atendimentos têm me ajudado com os problemas no túnel do carpo, a tendinite e a epicondilite. O projeto está de parabéns! É sensacional!”, afirmou.

Saúde e rendimento

Outra integrante beneficiada é Thais Moreno, que toca caixa na Viradouro há três anos. Ela sofreu um acidente de moto que provocou uma fratura na patela, osso localizado na região do joelho, e encontrou nos exercícios oferecidos pelo projeto um suporte para sua recuperação.

Segundo Thais, o trabalho também contribui para melhorar o rendimento dos ritmistas na preparação para o Carnaval. Ela considera a iniciativa inovadora e defende que o modelo seja adotado por outras agremiações.

O projeto também recebeu o aval de mestre Ciça, que está à frente de baterias ininterruptamente desde 1988. O comandante da Viradouro destacou os benefícios do acompanhamento e revelou que também utiliza os serviços oferecidos pelos estudantes.

“Esse projeto é muito bacana, faz muito bem para os ritmistas. Como mestre de bateria, fico muito feliz com isso. Eu mesmo tenho me tratado aqui toda terça-feira. É um gol de placa da Viradouro”, declarou.

Além de ampliar os cuidados com a saúde dos integrantes, o Virafisio aproxima a universidade da comunidade do samba e mostra como a fisioterapia pode contribuir para a preparação física dos ritmistas ao longo do ano, dentro e fora da temporada carnavalesca.

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