Visão do Rock in Rio

O Rock in Rio 2026 terminou seus quatro primeiros dias com menos ocorrências policiais e nenhum registro considerado de maior gravidade. Segundo o balanço divulgado pelo Governo do Estado, foram 604 procedimentos registrados pela Polícia Civil, contra 715 no mesmo período da edição de 2024 — uma redução de 15,5%, ou 111 ocorrências a menos.

A queda também aparece nos crimes patrimoniais, um dos principais desafios em eventos que reúnem milhares de pessoas. Os registros de furtos em geral recuaram 12,8%, enquanto os casos específicos de furto de celulares tiveram redução de 4,3% em relação a 2024.

A estratégia de segurança contou com 7.680 agentes das polícias Civil e Militar, Segurança Presente, Operação Lei Seca e Corpo de Bombeiros. Além do policiamento ostensivo, a operação apostou em tecnologia, monitoramento aéreo e policiais à paisana infiltrados entre o público para identificar suspeitos e interromper ações criminosas.

Polícia Civil estreia núcleo especializado em grandes eventos

Uma das novidades desta edição foi a primeira atuação do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (Nupatri) em um grande evento. Formado por policiais civis à paisana, o grupo circulou pela Cidade do Rock com a missão de identificar suspeitos, principalmente envolvidos em furtos e receptação de celulares.

A atuação ocorreu em conjunto com outras unidades da Polícia Civil e com forças de segurança de outros estados.

Em uma das ações, um homem de nacionalidade colombiana, apontado como integrante de uma quadrilha especializada em furtos de celulares em grandes eventos, foi preso após uma operação integrada entre as polícias Civil e Militar do Rio e a Polícia Militar de São Paulo.

Segundo as investigações, informações levantadas pela 18ª DP (Praça da Bandeira) e pela Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT) permitiram identificar o suspeito e acompanhar seu deslocamento até São Paulo. Com ele, foram encontrados seis celulares furtados durante o Rock in Rio. Os aparelhos foram posteriormente reconhecidos pelas vítimas.

Em outra frente, policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), em conjunto com agentes do Nupatri, prenderam dois homens de nacionalidade mexicana que estavam com celulares furtados e, segundo a investigação, atuavam na comercialização dos aparelhos. A dupla foi localizada em um estabelecimento hoteleiro na região central do Rio.

Os celulares recuperados serão periciados e, posteriormente, devolvidos aos proprietários. As investigações continuam para tentar identificar os demais integrantes da cadeia criminosa.

Maioria dos registros ocorreu dentro da Cidade do Rock

A maior parte dos procedimentos registrados pela Polícia Civil aconteceu dentro da área do festival, cuja segurança é de responsabilidade dos organizadores por se tratar de um evento privado.

Em 2026, 93,7% dos registros ocorreram na área interna da Cidade do Rock. Apenas 6,3% foram registrados no entorno. Em 2024, os casos registrados na área externa representavam 12,2% do total.

A comparação mostra uma redução de 5,9 pontos percentuais na participação das ocorrências registradas fora do espaço do festival.

Drone invade área restrita e acaba apreendido

A tecnologia usada para reforçar a segurança também foi importante para identificar uma situação irregular durante o festival.

No segundo dia do Rock in Rio, em 5 de setembro, a equipe responsável pelo monitoramento do espaço aéreo identificou um drone sobrevoando sem autorização uma área restrita do evento.

O alerta foi encaminhado imediatamente ao Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICC-Móvel), da Polícia Militar, instalado nas proximidades do BRT Parque Olímpico.

Policiais localizaram o piloto, apreenderam o equipamento e levaram ele e o proprietário do drone para a delegacia instalada dentro do evento. Durante a abordagem, o piloto informou que não possuía autorização de voo pelo sistema da Força Aérea Brasileira nem a documentação exigida para a operação.

Além do drone, foram apreendidos o rádio controle, um cartão de memória e o case utilizado para transportar o equipamento.

Reconhecimento facial, drones e 177 viaturas no entorno

A Polícia Militar mobilizou 4,5 mil agentes para atuar durante o festival, desde a chegada do público até o retorno para casa.

O esquema utilizou câmeras com reconhecimento facial e de placas veiculares, drones de alta resolução e aeronaves. As imagens foram transmitidas para o CICC-Móvel, instalado em um caminhão próximo ao BRT Parque Olímpico.

A estrutura contou ainda com 177 viaturas, equipes de policiamento montado e motopatrulhamento e oito torres de observação e vigilância instaladas no entorno da Cidade do Rock.

Seis pontos de bloqueio foram montados nas principais vias de acesso para controlar a circulação de veículos e pessoas. O policiamento também foi reforçado nos terminais rodoviários e nos acessos ao festival, com equipes a pé e motorizadas.

Para atender o público internacional, policiais bilíngues permaneceram no posto de atendimento ao turista, prestando orientações e auxílio aos estrangeiros.

Lei Seca aborda 895 motoristas

A Operação Lei Seca também reforçou a fiscalização durante os primeiros dias do festival.

Entre 4 e 6 de setembro, 895 motoristas foram abordados. Desses, 247 foram encaminhados para o teste quantitativo do etilômetro.

Dois condutores apresentaram resultado positivo para a presença de álcool, com índices de até 0,33 mg/l. Nesses casos, foram aplicadas medidas administrativas, com multa e retenção do veículo até que um motorista habilitado e sóbrio pudesse assumir a condução.

Outros 77 motoristas se recusaram a realizar o teste. A recusa também resultou na aplicação das medidas administrativas previstas, incluindo multa e retenção do veículo.

No estande do Rock in Rio, cerca de 680 pessoas participaram das ações de conscientização entre sexta-feira e sábado. O público pôde realizar testes com etilômetro e participar de circuitos com óculos que simulam os efeitos da embriaguez.

Bombeiros registram apenas um incidente leve

O Corpo de Bombeiros também classificou como tranquila a atuação durante a primeira semana do festival.

Desde a abertura dos portões, as equipes foram acionadas para apenas um incidente leve. Não houve registro de ocorrência de maior gravidade nos primeiros dias.

A operação começou antes mesmo da entrada do público, com vistorias em palcos, brinquedos, saídas de emergência e postos médicos.

Durante o evento, os bombeiros permaneceram distribuídos em pontos estratégicos e integrados à Central de Órgãos Públicos, responsável por coordenar chamados e ações das diferentes instituições envolvidas na segurança.

Ao todo, 140 bombeiros militares se revezaram durante a operação. A estrutura contou com ambulâncias, viaturas de salvamento, uma unidade preparada para atendimento a múltiplas vítimas e plataformas mecânicas com alcance de 42 metros.

Três unidades operacionais também permaneceram de prontidão para eventual necessidade de reforço.

Segurança aposta em prevenção e resposta rápida

O balanço dos primeiros quatro dias mostra uma operação que combinou policiamento ostensivo, inteligência, tecnologia e atuação especializada para tentar reduzir crimes em um dos maiores eventos de massa do país.

A redução de 15,5% nas ocorrências em relação a 2024, somada à queda nos registros de furtos e à ausência de casos de maior gravidade, aparece como um dos principais resultados apresentados pelo Governo do Estado.

Ao mesmo tempo, a prisão de suspeitos e a recuperação de celulares mostram que a estratégia não ficou restrita à presença de policiais no entorno. Com agentes à paisana, monitoramento por câmeras, drones e integração entre diferentes forças, a operação também buscou atingir a estrutura por trás dos furtos — especialmente a cadeia que envolve a receptação e a comercialização dos aparelhos roubados.

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