O samba carioca reuniu diferentes gerações e atravessou, pela primeira vez, as fronteiras entre as divisões do Carnaval do Rio de Janeiro. Integrantes das Velhas Guardas de escolas de todos os grupos se encontraram na Cidade do Samba, na Zona Portuária, para uma grande confraternização dedicada à memória e à história das agremiações.
A edição ampliada da festa reuniu, em um mesmo espaço, veteranos de escolas que integram desde o Grupo de Avaliação até o Grupo Especial. O encontro marcou uma nova dimensão para uma celebração que, ao longo dos anos, se consolidou como um momento de valorização daqueles que ajudaram a construir o Carnaval carioca e seguem mantendo vivas suas tradições.
A Cidade do Samba já havia recebido confraternizações das Velhas Guardas do Grupo Especial em 2011 e 2012. Depois disso, a festa passou a percorrer quadras e outros espaços pelo estado do Rio. O retorno ao complexo de barracões, agora reunindo representantes de diferentes grupos, conferiu um caráter simbólico à celebração.
O local também estabelece uma ligação entre diferentes momentos da história do Carnaval. Se a Praça Onze se tornou um dos principais territórios de formação das escolas de samba, a Cidade do Samba representa hoje um dos espaços onde os desfiles começam a ganhar forma muito antes de chegarem à Avenida. Foi nesse cenário que veteranos e representantes de diferentes gerações se reuniram para celebrar o passado, o presente e a continuidade do samba.
A programação começou às 13h, com um almoço de confraternização. Na sequência, o público acompanhou apresentações de Leonardo Bessa e do grupo Puxadores do Samba.
O encerramento, pouco depois das 18h, foi marcado por um dos momentos mais emocionantes da tarde: o desfile das bandeiras das agremiações diante das Velhas Guardas. A passagem dos pavilhões simbolizou a trajetória das escolas e homenageou os veteranos que ajudaram a construir a história representada por cada uma delas.
“Hoje é um dia de celebração. O presidente Gabriel David e toda a diretoria conseguiram reunir as Velhas Guardas de todo o estado do Rio em uma festa de uma dimensão enorme. Essas pessoas são gigantes, são guerreiras. E não poderia haver lugar mais simbólico para essa homenagem do que o próprio quilombo do samba, a Cidade do Samba”, afirmou Elmo José dos Santos, diretor de Carnaval da Liesa.
Memória que atravessa gerações
Apresentador da confraternização há 23 anos, Marcelo Pacífico acompanhou de perto as transformações da festa. Para ele, a ampliação do encontro reforça o papel das Velhas Guardas na preservação da memória das escolas.
“É uma forma de valorizar os baluartes e veteranos do samba, preservar a memória das escolas e reverenciar pessoas que carregam décadas dessa história, algumas delas presentes desde a própria fundação de suas agremiações”, destacou.
Entre os participantes estava Luiz Desenho, de 64 anos, que soma 48 anos de trajetória na Mangueira e há cinco integra a Velha Guarda da escola. Para ele, a reunião de representantes de diferentes agremiações tornou a celebração ainda mais significativa.
“É a segunda vez que participo dessa festa e, para mim, esta está sendo ainda mais especial. É uma alegria enorme ver tantas Velhas Guardas reunidas, de tantas escolas diferentes, celebrando o samba, amizade e nossa história. Tenho 48 anos de Mangueira e sei o valor que tem um encontro como esse. É uma confraternização bonita, que aproxima as escolas e valoriza quem dedicou e continua dedicando a vida ao Carnaval”, afirmou.
Ao reunir veteranos de diferentes grupos em um mesmo espaço, a festa reforçou o papel das Velhas Guardas como guardiãs de uma memória que atravessa décadas e divisões do Carnaval. Na Cidade do Samba, os pavilhões das escolas encontraram aqueles que ajudaram a construir suas histórias — em uma celebração que aproximou gerações e reafirmou a força da tradição do samba carioca.