O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou na sexta-feira (2) de um ato de campanha no Centro do Rio de Janeiro, na reta final antes do primeiro turno das eleições. A caminhada teve concentração na Candelária, passou pela Avenida Rio Branco e terminou na Cinelândia, reunindo candidatos, lideranças políticas, artistas, militantes e apoiadores. O percurso entre os dois pontos é associado a manifestações políticas e sociais históricas na cidade.
Lula esteve acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, dos candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), além de aliados políticos. Durante o ato, o presidente convocou os apoiadores a manterem a mobilização até o dia da votação e afirmou estar confiante na possibilidade de encerrar a disputa presidencial no primeiro turno.
A caminhada ocorreu dois dias antes da votação, marcada para domingo (4), e fez parte dos últimos compromissos públicos de Lula antes do primeiro turno.
Artistas relatam razões para apoiar o PT
Entre os participantes estava o cantor e compositor Diogo Nogueira. Ao explicar sua presença, ele citou a defesa da democracia e de políticas públicas nas áreas de educação, saúde e cultura.
Nogueira também declarou apoio à candidatura de Benedita da Silva ao Senado e associou seu voto à trajetória política da petista.
O ator Marcelo Serrado também participou da mobilização. Segundo ele, decidiu se manifestar publicamente por considerar o momento eleitoral importante para a democracia. Serrado declarou ainda que costuma votar em Benedita e destacou a trajetória da candidata.
Os artistas não foram os únicos a apresentar justificativas pessoais para a participação. A caminhada reuniu eleitores de diferentes regiões e perfis, alguns dos quais relacionaram a escolha eleitoral às próprias experiências de vida.
Educação pública como motivo de apoio
O advogado criminalista Luiz Felipe Sene, de 29 anos, contou que é filho de uma empregada doméstica e de um metalúrgico e que deixou o interior de São Paulo para estudar no Rio de Janeiro depois de ingressar em uma universidade pública.
Segundo ele, as políticas de expansão do ensino superior tiveram influência em sua trajetória acadêmica e profissional. Sene afirmou se considerar resultado de políticas públicas implementadas nos últimos anos e disse que essa experiência contribuiu para sua decisão de apoiar Lula e o PT.
A estudante de História Tifhanny dos Santos Oliveira também participou do ato. Vinda da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, ela integrou a mobilização organizada por professores e estudantes da instituição.
Nascida em Açailândia, no Maranhão, Tifhanny se mudou para o Rio para continuar os estudos e está próxima de concluir a graduação. Ela se identificou como descendente de povos originários e afirmou que pretende trabalhar como professora de História.
A estudante disse que participou da manifestação em defesa da candidatura de Lula e por considerar importante a presença dos apoiadores na reta final da campanha.
A restauradora Beatriz de Barros, de 36 anos, que trabalha em uma instituição pública e em um museu público, também esteve na caminhada. Ela relacionou sua participação à preocupação com o futuro dessas instituições e com a preservação da democracia.
Alckmin faz ato em Nova Iguaçu
Também na reta final da campanha, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou de um ato em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ao lado de Benedita da Silva. Durante o encontro, realizado na Praça Rui Barbosa, Alckmin pediu que os apoiadores conversassem com eleitores indecisos e apresentassem argumentos sobre as propostas e os resultados dos governos.
O vice-presidente afirmou que a decisão eleitoral deve ser construída por meio do convencimento e defendeu o debate entre diferentes projetos políticos.
Em seu discurso, Alckmin também fez críticas ao adversário Flávio Bolsonaro (PL), a quem atribuiu o que chamou de “candidatura da mentira”. A afirmação foi uma avaliação política do vice-presidente e integrou o discurso de campanha.
Alckmin também comparou medidas econômicas dos governos Lula e Jair Bolsonaro. Entre os exemplos citados, mencionou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e medidas relacionadas à tributação de produtos da cesta básica e de higiene pessoal. Também apresentou números sobre emprego e renda para sustentar sua avaliação sobre o desempenho da atual administração.
Pandemia volta ao discurso eleitoral
A pandemia de Covid-19 também foi mencionada no discurso de Alckmin. O vice-presidente criticou a condução da crise sanitária durante o governo Bolsonaro e associou o número de mortes no país à atuação da administração anterior. Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, o Brasil registrou centenas de milhares de mortes por Covid-19 durante a pandemia; a atribuição de responsabilidade política sobre esse resultado, porém, é objeto de disputa no debate eleitoral.
No ato, Benedita da Silva elogiou Alckmin pela atuação como vice-presidente e defendeu a ampliação da bancada de partidos aliados no Congresso Nacional.
A candidata também criticou adversários por, segundo ela, retirarem de contexto uma declaração de Lula relacionada ao Setembro Amarelo. Benedita afirmou que a fala teria sido utilizada nas redes sociais para produzir informações falsas sobre a posição do presidente em relação às mulheres e às crianças.
Os discursos de Alckmin e Benedita fizeram parte da estratégia de mobilização dos apoiadores nos últimos dias antes da votação. A caminhada no Centro do Rio, por sua vez, concentrou manifestações de apoio a Lula e relatos de eleitores que associaram sua escolha eleitoral a temas como democracia, educação, saúde, cultura e políticas sociais.