Nana Kozak

Tem gente que atravessa a vida contando os dias. Nana Kozak prefere contar as canções. Para marcar 30 anos de trajetória artística, a cantora, atriz e compositora carioca lançou, no dia 12 de outubro, em todas as plataformas digitais, o EP “Feliz à Toa”, um trabalho que trata a alegria como escolha, como resistência e como motivo de festa.

Com influência forte dos ritmos populares brasileiros, o EP transita entre o samba e o baião para falar de ancestralidade, amor, reencontros e humor. O fio condutor é a vontade de viver, e de fazer arte, de coração aberto. Em quatro músicas, o disco mostra as várias faces de uma artista que fez da música um espaço de encontro, liberdade e troca.

Samba como encontro

A faixa-título, “Feliz à Toa”, nasceu de uma parceria entre Nana e Paula Esteves, sobrinha-neta de Pixinguinha. A canção parte do olhar de quem enxerga no samba mais do que música e dança: um lugar onde se encontram pessoas, se dividem afetos e se reafirma a alegria como escolha diária. Funciona como um manifesto ao axé e uma celebração da ancestralidade preta, sustentada pela força dos tambores e por uma felicidade simples e compartilhada.

Uma fábula revisitada

Em “A Cigarra e a Formiga”, composição autoral de Nana, com parceria melódica de Raphael Pippa, a artista mergulha no baião para revisitar a conhecida fábula sob um olhar contemporâneo. Com lirismo e irreverência, a música questiona a lógica que coloca a produtividade acima de tudo e celebra a decisão de seguir fazendo arte.

Outono como acolhimento

“Meu Outono” é assinada por Fernando Procópio, Will Freitas, Yago Costa e Vinícius Magalhães, integrantes do Projeto Aos Novos Compositores. A estação normalmente associada a despedidas e passagens ganha, na letra, outro sentido: vira metáfora de acolhimento, permanência e desejo de reencontro.

Os paradoxos de Gêmeos

Fechando o EP, “Geminiana”, de Tiago Bigode, aposta no samba, no balanço e no bom humor. A canção mistura poesia, humor e sarcasmo para brincar com os paradoxos da mulher do signo de Gêmeos, num retrato divertido de suas contradições.

Três décadas no palco

Mais do que apresentar material novo, “Feliz à Toa” funciona como uma celebração de 30 anos de música, encontros, palcos, aplausos, desafios e reinvenções. É também um reconhecimento ao ofício de cantar e à possibilidade de transformar a música em espaço de afeto e comunhão. O EP chega como uma comemoração da vida vivida em cena e da felicidade de continuar fazendo o que sempre moveu a artista: cantar, emocionar, reunir pessoas e transformar cada palco em festa.

Artisticamente madura e mais consciente de sua identidade musical, Nana circula com naturalidade entre a potência da intérprete e a sensibilidade da compositora. O trabalho sintetiza esse momento: olha para a trajetória construída até aqui sem deixar de celebrar o presente e tudo o que ainda está por vir.

Afinal, depois de 30 anos de palco, talvez exista mesmo uma forma de resistência na capacidade de continuar celebrando, criando e acreditando na alegria.

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