A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira (27), colocou Eduardo Paes (PSD) em posição confortável na corrida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Com até 42% das intenções de voto nos cenários testados, o ex-prefeito do Rio aparece isolado na liderança e larga como principal nome da disputa de 2026.
Os números, porém, inevitavelmente remetem a uma reflexão política: será que, desta vez, Eduardo Paes conseguirá chegar ao Palácio Guanabara? Ou a eleição poderá repetir as surpresas que marcaram o cenário fluminense em 2018?
No primeiro cenário da pesquisa, Paes registra 38% das intenções de voto. Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (PL) aparecem empatados com 10%, enquanto os demais pré-candidatos não ultrapassam 2%. Em um segundo cenário, sem Garotinho, o candidato do PSD amplia sua vantagem para 42%, contra 11% de Douglas Ruas. Ainda assim, o levantamento aponta um contingente relevante de eleitores indecisos e de votos brancos, nulos ou de pessoas que afirmam não votar.
A liderança é expressiva, mas a história recente da política fluminense recomenda cautela.
O fantasma de 2018
Há oito anos, Eduardo Paes também entrou na disputa pelo Governo do Rio como um dos nomes mais conhecidos da eleição. Ex-prefeito da capital por dois mandatos, tinha forte recall eleitoral e era apontado como favorito por parte dos analistas.
No entanto, a campanha tomou um rumo completamente diferente.
Enquanto Paes enfrentava o desgaste da associação ao grupo político do MDB, Wilson Witzel, então um ex-juiz federal pouco conhecido da maioria do eleitorado, cresceu rapidamente impulsionado pela onda de renovação política que marcou as eleições daquele ano e pelo forte discurso na área da segurança pública.
O resultado surpreendeu o cenário político. Witzel terminou o primeiro turno na liderança e venceu Eduardo Paes com ampla vantagem no segundo turno, em uma das maiores reviravoltas da política fluminense recente.
A eleição de 2018 tornou-se um exemplo de como campanhas eleitorais podem mudar significativamente durante o período oficial de disputa, especialmente em momentos de forte polarização e elevado índice de eleitores indecisos.
Um cenário diferente
O contexto de 2026, entretanto, apresenta diferenças importantes.
Eduardo Paes chega à disputa após mais um mandato à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro, mantendo alta visibilidade política e uma administração que lhe garante protagonismo estadual. Além disso, não há, até o momento, um candidato que concentre o sentimento de renovação da mesma forma que Witzel conseguiu fazer em 2018.
O campo adversário também aparece fragmentado. Douglas Ruas e Anthony Garotinho dividem a segunda colocação nos cenários pesquisados, enquanto os demais nomes permanecem com desempenho reduzido. Essa dispersão beneficia, por ora, o líder das pesquisas.
Mesmo assim, a campanha ainda nem começou oficialmente.
Eleição continua em aberto
Outro fator que merece atenção é o elevado percentual de eleitores que ainda não definiram seu voto. Somados aos votos brancos, nulos e aos que afirmam não comparecer às urnas, esse grupo representa uma parcela significativa do eleitorado e poderá influenciar diretamente o resultado final.
Também entram na equação temas que tradicionalmente ganham força em eleições estaduais, como segurança pública, saúde, mobilidade, contas públicas e a relação entre o governo estadual e os municípios. Debates, alianças partidárias, tempo de propaganda eleitoral e o desempenho dos candidatos durante a campanha tendem a alterar a dinâmica da disputa.
Favoritismo não garante vitória
A pesquisa Quaest confirma que Eduardo Paes inicia a corrida pelo Governo do Rio em posição privilegiada. A vantagem sobre os concorrentes é consistente e demonstra que seu capital político permanece elevado.
Mas a experiência de 2018 mostra que, na política fluminense, favoritismo nas pesquisas não significa vitória assegurada. Wilson Witzel iniciou aquela campanha como um candidato de baixa competitividade e terminou eleito governador, contrariando boa parte das expectativas.
O cenário atual é distinto e Eduardo Paes reúne hoje condições políticas diferentes das que tinha há oito anos. Ainda assim, a lembrança daquela eleição funciona como um alerta de que pesquisas retratam o momento, enquanto a decisão do eleitor só se consolida nas urnas.
A pergunta, portanto, permanece aberta: Eduardo Paes está mais perto do Palácio Guanabara do que nunca ou ainda poderá surgir um novo fator capaz de mudar o rumo da disputa, como ocorreu em 2018?


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