Workers assembling Volkswagen cars on an automotive factory production line

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu nesta sexta-feira (14) maior convergência entre os diferentes setores da sociedade e alertou para os desafios que ameaçam a competitividade da indústria brasileira. A declaração foi feita durante encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), onde Alban foi recebido pelo presidente da entidade, Luiz Césio Caetano.

Alban participou de mais uma edição do evento “Discussões Sobre o Rio que Queremos”, iniciativa da Firjan que reúne empresários, presidentes de sindicatos associados e conselheiros da federação para discutir caminhos para o desenvolvimento econômico e social do Rio de Janeiro e do país.

“O que mais nós precisamos nesse momento é o que mais falta no país: convergência. Polarizações não ajudam a construir”, afirmou Alban.

O presidente da CNI disse que tem percorrido diferentes regiões do Brasil para estreitar o diálogo com empresários e buscar maior união do setor produtivo.

Entre os principais temas discutidos estiveram o chamado Custo Brasil, a carga tributária, a reforma tributária, as elevadas taxas de juros e a escassez de mão de obra qualificada para a indústria.

Alban também defendeu uma postura de neutralidade e equilíbrio na política internacional, especialmente diante das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, uma posição mais equilibrada pode contribuir para evitar o agravamento da guerra tarifária entre os dois países.

O presidente da CNI ressaltou ainda a necessidade de o Brasil manter uma política industrial capaz de sustentar o crescimento e preservar a competitividade das empresas em um cenário de globalização.

“Sabemos que, nas empresas, se não nos renovarmos, morremos”, afirmou Alban. Ele também relacionou as discussões promovidas pela Firjan à agenda nacional da indústria e questionou a falta de planejamento de longo prazo no país.

“Quando o Caetano fala do projeto o Rio que queremos, que é bem alinhado ao nosso, questionamos: há quanto tempo esse país não fala em planejamento?”, disse.

Agenda do Rio dialoga com plano nacional

Na abertura do encontro, Luiz Césio Caetano destacou que a iniciativa “Discussões Sobre o Rio que Queremos” integra uma série de ações da Firjan baseada no estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”.

O documento identifica nove novas fronteiras econômicas que, segundo a federação, têm potencial para transformar a indústria fluminense nos próximos dez anos. A agenda estadual também busca convergir com as propostas apresentadas pela CNI no documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos Presidenciáveis”, lançado em junho.

Caetano afirmou que diversos fatores que afetam a competitividade da indústria não podem ser enfrentados apenas no âmbito estadual.

“Como nós da indústria sabemos, há questões que impactam a competitividade do setor que não se limitam às fronteiras do estado; cito a fiscal, a tributária, a de infraestrutura e a de energia”, afirmou.

Segundo o presidente da Firjan, a segurança pública também está entre os desafios que precisam de uma abordagem nacional. Para ele, os encontros promovidos pela entidade procuram construir uma agenda que ultrapasse os interesses específicos da indústria e dialogue com todo o setor produtivo.

“Com os encontros da Firjan, buscamos oferecer uma agenda que, além de contemplar temas nacionais, tem pontos em comum com todo o setor produtivo e não apenas com a indústria”, disse.

O encontro também marcou uma homenagem aos 88 anos da CNI, completados em 12 de agosto. Durante o evento, foi exibida uma fotografia do acervo histórico da Firjan que registra a inauguração, em 1948, do Centro Social número 1 da Confederação. A imagem mostra o primeiro presidente da CNI, Euvaldo Lodi, ao lado do então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra.

As discussões realizadas no Rio reforçam a tentativa das duas entidades de aproximar as agendas estadual e nacional da indústria, em um momento marcado por mudanças no sistema tributário, juros elevados, dificuldades de contratação e incertezas no comércio internacional. Para Firjan e CNI, a construção de uma estratégia de longo prazo aparece como elemento central para ampliar a competitividade da indústria e sustentar o desenvolvimento econômico.

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