Uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. Com mais de seis décadas de carreira, a atriz construiu uma trajetória marcada por personagens que atravessaram gerações e ajudaram a consolidar a televisão brasileira.
Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes mudou-se ainda criança para São Paulo. Foi na capital paulista que começou a se aproximar do teatro e estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP). Também fundou o grupo teatral Jovens Independentes, ao lado de artistas como Juca de Oliveira.
A carreira profissional avançou rapidamente. Seu primeiro trabalho no teatro lhe rendeu um prêmio de revelação em um festival. Em 1959, estreou nas telenovelas com Um Lugar ao Sol, da TV Tupi. No ano seguinte, chegou ao cinema em O Pagador de Promessas, filme dirigido por Anselmo Duarte que se tornou um dos grandes clássicos do cinema brasileiro e venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
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Foi, contudo, na televisão que Glória Menezes alcançou enorme popularidade. A atriz esteve entre os pioneiros da teledramaturgia brasileira e protagonizou diversas produções de grande repercussão. Uma das parcerias mais marcantes de sua carreira foi com Tarcísio Meira, com quem se casou e viveu durante 59 anos, até a morte do ator, em agosto de 2021.
A trajetória dos dois também se tornou um capítulo importante da história da televisão brasileira. O casal protagonizou 2-5499 Ocupado, exibida pela TV Excelsior e considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Depois, vieram sucessos como A Deusa Vencida, Sangue e Areia, Rosa Rebelde, Irmãos Coragem, O Semideus e Cavalo de Aço.
A partir dos anos 1980, Glória ampliou ainda mais o alcance de sua atuação e mostrou versatilidade ao interpretar personagens de diferentes perfis. Em Jogo da Vida, explorou pela primeira vez de maneira mais evidente a comédia, caminho que seria seguido em novelas como Guerra dos Sexos e Brega & Chique.
Em 1990, a atriz surpreendeu o público ao interpretar Laurinha Figueiroa, sua primeira grande vilã, em Rainha da Sucata. O desempenho foi reconhecido com o Troféu Imprensa de Melhor Atriz de 1992, pelo trabalho em Deus nos Acuda.
Ao longo das décadas seguintes, Glória continuou presente em algumas das principais produções da televisão brasileira. Participou de novelas como A Próxima Vítima, Torre de Babel, O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, A Favorita e Totalmente Demais, sua última novela, exibida em 2015.
Reconhecida pela capacidade de transitar entre personagens dramáticos, cômicos e vilanescos, Glória Menezes recebeu importantes homenagens e prêmios durante a carreira. Entre eles estão um Prêmio APCA, três Troféus Imprensa e três Prêmios Qualidade Brasil. Também foi homenageada com o Troféu Oscarito, do Festival de Gramado, e com o Troféu Mário Lago, em reconhecimento à sua trajetória artística.
A morte da atriz provocou manifestações de pesar. Em nota, o Governo do Estado do Rio de Janeiro destacou a contribuição de Glória Menezes para a cultura brasileira e afirmou que sua trajetória de mais de seis décadas nos palcos, no cinema e, principalmente, na televisão deixou personagens que atravessaram gerações.
Com a morte de Glória Menezes, a dramaturgia brasileira perde uma de suas figuras mais longevas e reconhecidas. Seu trabalho ajudou a construir a história da televisão no país desde os primeiros anos das novelas diárias e deixou uma coleção de personagens que permanece na memória do público.
Governo do Rio lamenta morte de Glória Menezes
O Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte da atriz Glória Menezes, aos 91 anos. Em nota de pesar, o desembargador Ricardo Couto destacou a contribuição da artista para a cultura e a arte brasileiras ao longo de mais de seis décadas de carreira.
Segundo o governo estadual, Glória Menezes construiu uma trajetória marcada por trabalhos nos palcos, no cinema e, principalmente, na televisão. A nota ressaltou ainda que a atriz se tornou um dos rostos mais populares do país e deu vida a personagens que atravessaram diferentes gerações.
O comunicado também destacou a versatilidade da artista, que interpretou mocinhas, vilãs e personagens de grande relevância na dramaturgia brasileira. Para o Governo do Rio, a contribuição de Glória Menezes deixou um legado que permanecerá na memória do público e das novas gerações de artistas.
Ao manifestar solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores da atriz, Ricardo Couto afirmou que a história e a arte de Glória Menezes permanecerão vivas na memória dos brasileiros.


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